quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Arte Poética, de Borges

Mirar el río hecho de tiempo y agua
Y recordar que el tiempo es otro río,
Saber que nos perdemos como el río
Y que los rostros pasan como el agua.
Sentir que la vigilia es otro sueño
Que sueña no soñar y que la muerte
Que teme nuestra carne es esa muerte
De cada noche, que se llama sueño.
Ver en el día o en el año un símbolo
De los días del hombre y de sus años,
Convertir el ultraje de los años
En una música, un rumor y un símbolo,
Ver en la muerte el sueño, en el ocaso
Un triste oro, tal es la poesía
Que es inmortal y pobre. La poesía
Vuelve como la aurora y el ocaso.
A veces en las tardes una cara
Nos mira desde el fondo de un espejo;
El arte debe ser como ese espejo
Que nos revela nuestra propia cara.
Cuentan que Ulises, harto de prodigios,
Lloró de amor al divisar su Itaca
Verde y humilde. El arte es esa Itaca
De verde eternidad, no de prodigios.
También es como el río interminable
Que pasa y queda y es cristal de un mismo
Heráclito inconstante, que es el mismo
Y es otro, como el río interminable.

Um comentário:

Derek Downs Gadestig disse...

Es una coincidencia, pero fue este verano que conduje al " Rancho Hermoso" de Jack London en “el Valle de la Luna” en el Valle de Sonora. El valle es muy hermoso. Es montañoso y lleno de árboles de pino. Paré para tomar el café allí y pensé en estas palabras (suenan mejores en la original inglesa)

There is an ecstasy that marks the summit of life, and beyond which life cannot rise. And such is the paradox of living, this ecstasy comes when one is most alive, and it comes as a complete forgetfulness that one is alive.

Y entonces, anoche, otra coincidencia, pensaba en “La Ausencia” - el tema de un poema maravilloso de Borges.

Ausencia

Habré de levantar la vasta vida
que aún ahora es tu espejo:
cada mañana habré de reconstruirla.
Desde que te alejaste,
cuántos lugares se han tornado vanos
y sin sentido, iguales
a luces en el día.
Tardes que fueron nicho de tu imagen,
músicas en que siempre me aguardabas,
palabras de aquel tiempo,
yo tendré que quebrarlas con mis manos.
¿En qué hondonada esconderé mi alma
para que no vea tu ausencia
que como un sol terrible, sin ocaso,
brilla definitiva y despiadada?
Tu ausencia me rodea
como la cuerda a la garganta,
el mar al que se hunde.

Cuando leí este poema, pensé, con gran dulzura, de estos párrafos
Comer o mundo.../Voz longinqua
Baixa e longinqua e a voz que ouço... aprisiona-me nas palavras...
-É bonito Loreley, é de um tristeza bonita e aceita...
-É porque eu te amo...
-É porque te amo...

...Existe um ser que vive dentro de mim como se fosse casa dele eé. Trata-se de um cavalo preto preto e lustroso que apesar de inteiramente selvagem- pois nunca morre antes em ninguém nem jamais lhe puseram rédeas nem sela apesar de de inteiramente selvagem tem por isso mesmo uma dona primeira de quem não tem medo: come às vezes na minha mão
...Come ele dormia como existia. Nunca o sentira tanto. Quando se unira a ele, nos primeiros tempos de casada o deslumbramento lhe viera de seu próprio corpo descoberto. A renovação fora da sua, ela não transboradara até o homem e continuara isolada. Agora subitamente compreendia que o amor podia fazer com que se desejasse o momento que vem num impulso que era a vida... Sentia o mundo palpitar docemente em seu peito- doía-lhe o corpo come se nele suportassea feminilidade detodas as mulheres.... Estendeu o braço no escuro e no escuro sua mão tocou no peito nu de homem adormecido: ela assim criava pela sua própria mão e fazia com que esta para sempre guardasse na pele a gravação de viver
Vestiu o maiô e o roupão, e em jejum mesmo caminhou até a praia. Estava tão fresco e bom na rua! Onde não passava ninguém ainda, senão ao longe a carroça do leiteiro. Continuou a andar e a olhar, olhar, olhar, vendo.
Era um corpo a corpo consigo mesma dessa vez. Escura, machucada, cega - como achar nesse corpo-a-corpo um diamante diminuto mas que fosse feérico, tão feérico como imaginava que deveriam ser os prazeres. Mesmo que não os achasse agora, ela sabia, sua exigência se havia tornado infatigável. Ia perder ou ganhar? mas continuaria seu corpo-a-corpo com a vida. Alguma coisa se desencadeara nela, enfim.

E aí estava ele, o mar.

Aí estava o mar, a mais ininteligível das existências não-humanas. E ali estava a mulher, de pé, o mais ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fizera um dia uma pergunta sobre si mesmo, tornara-se o mais ininteligível dos seres onde circulava sangue. Ela e o mar.

Só poderia haver um encontro de seus mistérios se um se entregasse ao outro: a entrega de dois mundos incognoscíveis feita com a confiança com que se entregariam duas compreensões....