domingo, 31 de agosto de 2008

Revisitas

É curioso como a gente re- visita temas antigos o tempo inteiro, sem perceber a circularidade se instala. Vejam que este desenho encontrado no meu livro de rascunhos da adolescência (16 anos) que traz uma mulher com os cabelos cor de rosa, assim como hoje o meu cabelo tem mechas em tom de lilás.
Hoje é um sedoso grito pela diversidade - quem disse que cabelos têm que ser pretos, loiros ou castanhos? Porque não rosa, laranja ou verde? Quem ditou a regra?
Aos 16 anos, que liberdade era esta já presente? Que coragem desenhar esta mulher ousada e fragmentada que eu não era então.

sábado, 30 de agosto de 2008

Amar é um sufoco!

E para não dizerem que eu só escrevo sobre os "outros", aqui vai algo do que sinto:
A literatura salva,
mas o amor faz falta.
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E a coisa mais engraçada do dia foi ouvir a história de uma amiga que desenvolveu asma aos quarenta anos, após uma década de metódica devoção à solteiriçe ter sido derrubada por um amor intenso e paciente. Lá vinha ela caminhando de volta do hospital, após uma internação relâmpago para corrigir a recém-adquirida dificuldade de respirar, quando virou a esquina de casa e viu o namorado com um ramo de flores na porta esperando por ela. Tem um ataque fulminante e ele tem que levá-la no colo de volta para a emergência! Que sufoco!

A vida nos Jardins é chata?

....Ontem participei da gravação do programa Letra Livre da TV Cultura, do qual participou o escritor Ferréz, mais eminente escritor do movimento auto denominado de Literatura Marginal, surgido no final da década de 90.
....Muitas são as polêmicas que esta categoria literária causa no mundo literário paulistano. Recentemente, na FLAP (Festival de Literatura), discutiu-se O que é literatura marginal e foi esquentada a discussão entre os que defendem que literatura marginal é escrita por aqueles que moram na periferia das grandes metrópoles (critério territorial), os que defendem um recorte temático (critério de: aqueles escrevem sobre a periferia) ou ainda os que buscam expandir o conceito de território periférico para todos os escritores do “terceiro mundo”.
....Ferréz é um cara calmo e confiante, de uma elasticidade lingüística que o faz ser cortante sem jamais elevar o tom de voz ou parecer defensivo. Só esta qualidade já lhe confere grande originalidade.
....Durante o programa, uma senhora participante da Oficina Literária do Clube Paulistano levantou a seguinte questão: “Vocês são um grupo reconhecido de escritores, publicados e quase-celebridades, porque consideram-se marginais? O que me parece hoje marginal na literatura é aquela que fala da vida da elite brasileira. Aonde já se viu um escritor da Oscar Freire adquirir projeção?” A resposta de Ferréz foi cortante, “Eu não tenho culpa que a vida de vocês é tão chata que até os seus escritores vem escrever sobre a vida na periferia.”
....Vida chata. Interessante conceito. Chato é o que é sem relevo, achatado, sem altos e baixo, plano. Será que a vida da elite brasileira é chata? Ferréz desqualificou ao focar a elite dedicada aos cachorrinhos de estimação, com obsessão por viajar para Paris e comprar colares de ouro. Verdade que isso é chato. No entanto, em que pese que talvez a Oscar Freire seja realmente o reduto das madames desocupadas da elite paulistana, é certo que seus maridos (assim como as mulheres profissionais da elite) são os dirigentes do país e isso, certamente, não é algo chato.
....Ter a tarefa diária de determinar o destino de milhares de pessoas não é uma coisa chata. Os políticos, por exemplo, num dia comum, despacham a vida de algumas centenas de pessoas. Em decidir destinar alguns milhões de reais para recapeamento de estradas ou para a contratação de mais médicos para o SUS, determina-se algumas centenas de destinos - os que morrerão em acidentes de estrada e os que morreram na fila dos hospitais. Os empresários, num dia comum, despacham a vida da classe trabalhadora - contratar mais duzentos funcionários ou comprar uma máquina que mecaniza uma parte do sistema produtivo? Definem também o preço do feijão e do arroz quando resolvem importar grãos da Argentina ou estocá-los até que o preço suba mais, determinando assim o cardápio e a saúde do povo. Até mesmo o meio ambiente está em suas mãos, quando decidem investir na geração de energia renovável ou montar uma usina de carvão que emitirá gases de efeito estufa. Os advogados, num dia comum inserem cláusulas nos contratos que determinam se os planos de saúde cobrirão casos de HIV adquiridos pelo consumo de drogas ou tratamento psiquiátrico. A cada canetada, vidas e vidas periféricas estão em jogo. Não seria isto tema interessante para a literatura brasileira?
....No entanto, há algo que soa verdadeiro nas acusações de Ferréz. De fato, a vida da elite brasileira aparenta ser menos intensa, sexual e musical do que a dos periféricos. Vemos os executivos de terno-azul marinho da Av. Paulista sempre estressado e sem tempo. Os mesmos que contratam prostitutas plastificadas no Café Photo para aliviar a tensão. Vemos o tédio dos restaurantes de luxo, contrastados à alegria do samba nos botecos. Será que algo mais ocorre na esfera privada, dentro dos muros dos palacetes e das empresas? Nas ruas, ao menos, o que se vê é uma vida de pouco apelo estético, apesar do esforço das grandes marcas para rejuvenecer a imagem os produtos de marcas como Louis Vitton, Tiffany e Burberry’s que, verdade seja dita, são absolutamente tradicionais e acessíveis somente para pessoas bem diferentes da imagem das modelos que estampam seus anúncios coloridos.
....O que é certo que a arte jovem brasileira (para não dizer de “vanguarda”) se abstêm de representar a sua elite. Enquanto Sex & The City é um dos seriados de maior sucesso da história da TV americana (e a política e a realidade das grandes empresas recorre como tema no cinema americano), a literatura e o cinema brasileiros, produzidos pela periferia ou pela elite, focam a vida periferia. Teria Machado de Assis esgotado o seu tema? Nada novo desde então? Teriam as novelas globais saturado a representação deste público? Algo a se pensar. Profundamente.
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O programa Letra Livre vai ao ar em Outubro, vale conferir.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

domingo, 24 de agosto de 2008

Novo Conto: Zac e Juliette

"Estavam ambos nus na cama, pela primeira vez. Até então amigos, levou-os até ali o teatro e a cerveja. Após alguns beijos mais quentes ela lhe disse, “Sexo não, tá?” Ele consentiu. Mas, aquilo tornava a situação inédita. Se não rolasse sexo, ia rolar o quê?
..."
(Para receber o conto inteiro, deixe um post!)

sábado, 23 de agosto de 2008

Nós

Começei a conversar com ele
e quando vi
estávamos nos beijando.
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Começei a beijar ele
e quando vi
estavamos nos amando.
.
Começei a amar ele
e quando vi
já não éramos mais
eu e ele.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Crônica: Civilização Inviável

.....Instigantes são os biólogos, com seu misto de evolucionismo pessimista (diriam eles realista!) e o alto grau de engajamento pela causa ambiental, contradições em termos.
.....Por um lado, eles mantêm uma perspectiva aguda do papel restrito que o homo sapiens tem na Terra. Apesar de sermos uma espécie ousada, crente de que pode domar a natureza em pról dos próprios interesses, os biólogos sabem que houveram milênios antes do nosso surgimento e que haverão outros após nossa provável extinção. Mesmo que isso não aconteça, o fogo do sol deve se exaurir dentro de alguns milhões de anos e então será tudo extinto! Ou seja, o fim de nossa civilização é certo, o que varia é só o quando isso acontece, antes ou junto com o fim do mundo, e o como acontece!
.....Ao mesmo tempo, os biólogos são aqueles que não jogam lixo no chão (aliás, nem devemos falar de “lixo”, pois trata-se de resíduos sólidos, matéria-prima da reciclagem), são os que catam copinhos de plástico nas praias, escovam os dentes com a torneira fechada, apagam sempre as luzes, tornam-se vegetarianos (ecologia da boca para dentro!) e têm como peça chave do seu guarda-roupa as camisetas de campanhas ambientais, ora em defesa das baleias ora dos morcegos, preferencialmente feitas de algodão orgânico.
.....Participando do lançamento de uma campanha em defesa dos oceanos, presenciei um curioso momento de exposição desta contradição dos biólogos. Na hora das perguntas, surgiu da platéia um senhor que se apresentou como médico aposentado, filósofo auto didata e psicólogo. O fez com muito humor! Disse ele, “Eu sou uma pessoa informada, leio diariamente os jornais e pelo que pude entender o nosso modelo de civilização já se provou inviável. Se fossemos o Titanic, diria que já batemos no iceberg, correto? Então, eu lhes pergunto, se não há salvação para a humanidade, porque não comer atum? Será que não estamos nos comportando como os passageiros do Titanic que reclamaram do balançar dos copos de champagne em meio ao naufrágio?”
.....Seu questionamento chacoalhou a mesa de biólogos! Sorriram entre eles, alguns adquiriram uma fisionomia grave, cediam a vez para o outro ser o primeiro a falar. Por fim, um a um, posicionaram-se. Todos concordam que as perspectivas não são boas para a civilização humana. As estatísticas são péssimas e a visão que se forma hoje é que a combinação do padrão de consumo adotado após a revolução industrial e a democracia, que permite a livre escolha aos cidadãos, é inviável e levará nossa civilização ao colapso. “Agora...”, e todos os biólogos da mesa deram o seu “agora”, “...se fosse para acreditar em alguma coisa...” e todos disseram preferir continuar agindo como se ainda houvesse tempo, como se ainda fosse possível evitar o choque com o iceberg. Curiosa tribo.
.....A lógica natural da coisa seria dizer: se não há solução, se tudo está mesmo perdido, então vamos comer churrasco de boi da Amazônia até o último dos dias! Vamos comprar madeira ilegal, porque ela é mais barata! Vamos jogar o lixo na praia, porque a lixeira está longe e eu estou é com preguiça! Vamos comer o camarão da carcinicultura dos mangues nordestinos, porque ele é maior e nada melhor do que um camarão gigante na moranga! Enfim, se tudo está perdido, vamos curtir o que nos resta!!!
.....Mas os biólogos não pensam assim. Com eles ocorre o inverso. Confrontados com a ausência de perspectivas salvacionistas, ocorre o acirramento dos padrões e o apego militante às práticas ideais de comportamento, irrespectivo de sua irrelevância para a mudança do curso da evolução. São movidos por um tipo de crença dos descrentes, como se fossem crentes de uma bíblia ateísta. São a antítese do padre jesuíta retratado no maravilhoso filme “As Missões”, aquele que morre assassinado pela coroa portuguesa junto com os índios de sua catequese, rezando com a cruz em punho. Morre em meio à barbárie, mas firme na fé de haver uma "lógica maior” que só Deus pode compreender e da qual ele é só um pequeno instrumento. Os biólogos são o inverso do padre, pois se vêem capazes de compreender, o que vêem não os traz fé, mas optam por persistir carregando a cruz. Porque isso?
.....A explicação que eu encontrei foi poética. Isso mesmo! Os biólogos da modernidade têm alma de poeta. Em meio à descrença generalizada, eles passam a se relacionar com gestos rituais, simbólicos, porém inconseqüentes, que tem mais a ver com o que a vida poderia ter sido do que como que ela realmente é. Ou seja, relacionam-se com o gesto ambientalista pela própria beleza do gesto, assim como a poesia, que nasce do encantamento com a beleza da palavra. Assim, mesmo não fazendo diferença para a evolução, catar um copinho de plástico na praia é um gesto ritual repleto de beleza utópica e inspiradora para os biólogos. Na prática deste gesto se conhecem e se reconhecem e assim seguem, uma tribo entre tantas outras, todos fadados à extinção.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Amor Vegetal

Recentemente descobri um poeta brasileiro muito famoso chamado Affonso Romano de Sant'anna. Assisti-o na TV Cultura falando sobre como a poesia brasileira tendeu tão fortemente ao concretismo, rejeitando correntes mais discursivas e menos formalistas. Desde o início de sua carreira como poeta quis propor que poesia não é uma coisa OU outra, mas uma coisa E outra. Disso já gostei, pois creio que a maior parte dos problemas do mundo provém do esquecimento de que o E é possível: muçulmanos e chineses, judeus e árabes, ocidentais e orientais, porque não? Outra coisa legal, foi um poema dele que inspirou a música da Legião Urbana, "Que país é este?" Comprei um livrinho de Affonso Romano na Bienal e adorei sua poesia! Compartilho um poeminha chamado: Amor Vegetal.
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Não creio que as árvores
fiquem em pé, em solidão, durante a noite.
Elas se amam. E entre as ramagens e raízes
se entreabrem em copas
em carícias extensivas.
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Quando amanhece,
não é o cantar de pássaros que pousa em meus ouvidos,
mas o que restou na aurora
de seus agrestes gemidos.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Os Possessos

Eu e Nanci fomos ontem à FUNARTE, na belíssima Barra Funda renascente, com sua arquitetura dos anos 50 timidamente ressurgindo nas cores restauradas, assistir aos "idiotas" André e Solange na produção de Os Possessos, de Dostoiévski.
É imperdível para todos os que fizeram a oficina de O Idiota, pois fica nítida a dificuldade de transposição do texto intricado de Fydor para o palco. A produção é criativa e tem cenas maravilhosas, algumas protagonizadas por nossos queridos "idiotas", como por exemplo a dos personagens com "sombras" que imitam seus gestos.
No entanto, é presente a dificuldade do enredo central se destacar em meio a tantos sub-enredos e a dificuldade dos atores expressarem a característica dúbia e oscilante dos personagens centrais, o que vimos ser característica importante em Dostoiévski. Em algumas partes, fiquei com saudades do texto, curiosa para ler como Dostoiévski retratou este ou outro momento!

domingo, 17 de agosto de 2008

Love and Blembers

Muito legal esta peça/show sobre o amor nos tempos modernos que fui assistir ontem com Dani, querida dramaturga e fellow "idiota". Várias reflexões!
Teatro físico, com texto de apoio, algumas imagens ficarão comigo por um bom tempo, como a "cena do abraço gostoso" entre um casal na praia, tão gostoso, tão gostoso, mas daí, para onde ir? E o tempo, que vai passando e tornando incomodo aquele estar gostoso só por estar gostoso até que se desfaz o gostoso e tudo se torna incomodo e cada um fica sem saber como sair dali seu causar comoção.
Menção especial à brilhante atriz/dançarina que é a protagonista, esta de vestido vermelho ao lado - grande doação, grande atuação!

sábado, 16 de agosto de 2008

Em perigo:

Aí o tubarão e a tartaruga, duas espécies vítimas da pesca incidental (em redes de arrasto e outras), representados por voluntários do Greenpeace, no lançamento da Campanha de Oceanos que aconteceu hoje de manhã no Parque Villa Lobos. http://www.greenpeace.org/brasil/oceanos/

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Rumo à Russia!

Toda viagem começa bem antes do caminho até o aeroporto. Minha viagem à Rússia já está começando!
Por indicação de uma amiga do meu pai, viúva de um brasileiro-russo chamado Yura, com quem convivi alegremente durante a infância nas festas de família, conversei hoje com Dona Olga. Só sabia que Dona Olga tinha uma relação forte com a Rússia e poderia me colocar em contato com um casal de russos-brasileiros que vive em São Petersburgo. Duas horas depois, ainda não havíamos chegado ao tema de obter o e-mail deles! Os russos são altamente discursivos e cada “causo” é uma narrativa completa e densa, assim como os textos de Dostoievski.
Dona Olga teve uma vida que é até difícil visualizar para alguém da nossa geração. Octogenária altiva e falante, inteligente e orgulhosa, contou-me sobre como ela nascera na China! Era uma “chinesa branca”, como diziam os que migraram da Rússia para a China após a Revolução. Quando Mao Tse Tsung chegou ao poder resolveu expulsar da China todos os “de raças européias”. Assim sendo, já órfã de pai e mãe, aos 15 anos, ela e sua tia (mais os japoneses que viviam em sua vila) foram colocadas num trem que em 52 horas as levou até Hong Kong. Lá ficaram à espera de um navio que a levaria para alguma parte do mundo.
Na época falava fluentemente: chinês, russo e inglês, mas nunca ouvira falar de Brasil ou da língua portuguesa. Quando chegou ao porto de Santos, recebeu documentos que a caracterizavam como “apatriada” – disse-me da dor de ser considerada isso: sem pátria. Identificou-se com o cosmopolitanismo brasileiro, aonde as várias etnias convivem amávelmente, diferentemente de sua terra natal. Ficou. Contou-me muitas e muitas histórias de sua vida em São Paulo, aonde trabalhou como operária e tradutora. Também, contou-me sobre o nacionalismo eslavófilo (coisa sobre a qual quero melhor aprender), de como um de seus parentes trabalhou com Pedro o Grande e o outro era engenheiro e poeta, um liberal que acreditava na união dos povos da Rússia e não o separatismo (ecos do que lemos no jornal esses dias, não?) e de como mesmo ela cresceu imbuída pelos pais de um sentimento de patriotismo russo muito grande. Recentemente, participou em Moscou de um Congresso que reuniu russos criados em outras nações e emocionou-se com esta cidade, mas ainda mais com São Petesburgo.
Quantos mistérios!!! Quantos deles poderei ao menos tocar durante a viagem, quanto menos desvendar? E mesmo assim, o viajante é aquele que é imbuído da curiosidade pela alteridade, acredita e segue seu rumo.
Entusiasmada, liguei para o Consultado Russo com a missão de obter um visto. Atendeu um homem russo e eu perguntei, “Queria tirar uma dúvida sobre algo que li no site sobre os vistos.” Ele fez um barulinho curioso, “Nhum-nham-nhum", e depois disse "Dúvidas está tudo no site.” Eu disse, “Sim, eu li o site, mas fiquei com uma dúvida.” “Num-nham-nhum, está tudo tudo no site.” “Sei. Você prefere que eu vá ai pessoalmente?” “Nhum-nham-nhum, pode ligar depois das 13hs?” Irei pessoalmente. Quero ver ao vivo!
Sei que não será fácil, pois esta será uma viagem para o Oriente, para outra dimensão cultural, o que acarreta desentendimentos, mas para mim isso foi sempre aonde a vida real começa, no sair de si mesmo para se deparar com o outro, condição explícita para existirmos, pois só existe assim, em contraposição ao outro, não? Como saber se somos altos se não conhecemos os baixos? E a nossa sociedade, que é tão auto-destrutiva, quer acabar até com a nossa possibilidade de existir no olhar do outro, pois diariamente trabalha-se na eliminação de tudo o que é diferente, de todas as outras formas de viver e pensar, de agir e vestir, de ser.

Filosofia do Cotidiano

Ontem, após o almoço, à espera do cafézinho, eu folheava o jornal e ria comigo mesma da imagem de um funcionário de circo se agarrando às pernas de uma elefanta sendo apreendida por funcionários do IBAMA e policiais.
"A vida é um circo," espirei pensamento.
Minha mãe, que passava pelo recinto, de sopetão, retrucou:
"E nós somos os palhaços."

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Caiu na rede...

Eram duas da manhã quando eu e Leandra chegamos ao mercado de peixes do CEAGESP. Já na entrada, vimos que todos usavam botas plásticas brancas e nós não! Mas, tudo bem, tomamos um café com leite para aquecer. Aproximou-se um empreendedor japonês, cuja empresa chama-se Golfinho! "Pesca golfinho???" "No, no, no, no. It's just a fantasy name." Prosseguimos para o galpão molhado e repleto de peixes e, sendo as únicas meninas do recinto, fomos muito bem recepcionadas pelos vendedores de peixe, entre um ou outro esbarrão acidental dos carretos. Achei até um namorado, veja como ele é bonito na foto! Algumas horas depois, com os pés molhados e cheirando a peixe, voltamos para o aconchego do lar.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Mercado de Peixes

O tema da semana é: peixes - tantos deles por todas as partes. Eu, que sou do signo de peixes, agora assito-os nos programas da TV, fico atenta ao cardápio na casa da minha mãe, entro em todas as peixarias do bairro e por toda a casa há relatórios sobre peixes.
Quanto é um milhão de toneladas? Conseguem visualizar? É este o tanto de peixes que o Brasil produz a cada ano. Um milhão de toneladas de peixe.
A espécie mais perseguida é a sardinha! Justo elas com quem nadei na Praia do Sancho em Noronha. Nadei por dentro delas, tantas e tantas, dando a sensação de estar dentro de um programa de computador, tamanha a coordenação entre seus corpinhos metálicos.
Meu plano agora é visitar o Mercado de Peixes do CEAGESP, o ponto central de recebimento de peixes de São Paulo! O horário é uma beleza - das 2 às 6hs - da madrugada!!! Alguém se habilita?

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

CONFRONTO

Bateu Amor à porta da Loucura.
"Deixa-me entrar - pediu - sou teu irmão.
Só tu me limparás da lama escura
a que me conduziu minha paixão.
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A loucura desdenha recebê-lo,
sabendo quanto Amor vive de engano,
mas estarrece de surpresa ao vê-lo,
de humano que era, assim tão inumano.
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E exclama: "Entra correndo, o pouso é tu.
Mais que ninguém merecers habitar
minha casa infernal, feita de breu,
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enquanto me retiro, sem destino,
pois não se de mais triste desatino
que este mal sem perdão, o mal de amar."
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Carlos Drummond de Andrade
(alguém que sabe bem mais do que eu sobre o amor adulto)

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Filha da Cana

Eis quem eu re-encontrei ontem, no fundo do baú de fotos, minha querida amiguinha, companheira do meu primeiro trabalho de campo, em Vitória do Santo Antão, Pernambuco. No quarto dela eu dormi por tantos dias e era ela quem me acordava pela manhã, na hora de vestir-se e preparar a bolsa da escola. Com ela caminhei uma hora e meia e outra hora e meia para ir e voltar da escola. Nas tardes, era ela que comigo caminhava, de casa em casa, na sua comunidade rural da zona canavieira, me apresentando aos moradores e dizendo que eu ia "fazer pesquisa" com eles. Saudades menina! Aonde estará hoje? Já se passaram cerca de dez anos. Já deve ser adolescente hoje! Será ainda levada da breca? Estará estudando? Será que encontrará esta foto na internet, acessando de alguma lan house em Vitória do Santo Antão? Quem dera eu lembrasse seu nome...

domingo, 3 de agosto de 2008

MY FLAP

A FLAP começou faz dois dias, mas realmente já está causando. É fato que tão poucas vezes convivemos com nuestros hermanos latino americanos de forma tão horizontal. Aqui, somos todos jovens escritores, de Mexico, Uruguai, Chile, Equador y Brasil.
No Sarau de ontem, no B_Arco, foi possível sentir as diferentes texturas dos diferentes poetas, homens e mulheres, tratando temas comuns, muitas vezes da dificuldade de um "eu" interior muito sensível frente à violência do entorno. Ouviu-se e entoar da jovem e doce mexicana no tema familiar, da acidez sonora de nossa doce poeta carioca, o poema longo e emotivo (um recitar à beira de lágrimas!) do colega Equatoriano, o mesmo que algumas horas mais tarde cairia ao chão na bebedeira do samba, muitos outros. Marcelino Freire, simples como ele é e escrachado também, trouxe para nós o seu novo livro Rasif (que ele lança dia 14 de Agosto, no mesmo local). Foi noite de poesia das boas, para depois comemorarmos no Ó do Borogodó! Noite de festa! Viva la Conéxion!!!

Meu Novo Romance*

* Brincadeira! É propaganda de uma nova cerveja!!!

sábado, 2 de agosto de 2008

Por um Brasil diverso!

...vale a pena visitar o site do coletivo Makunaima Grita para conhecer e participar da campanha de apoio à manutenção da demarcação da TI Raposa-Serra do Sol (RR).

Assine a petição on line que será entregue aos ministros do STF encarregados de julgar o caso.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Santa (Ros)Ângela

A austeridade
me cabe bem.

A cumbuca de sopa
O pão de centeio
A colher de madeira
O relógio nas oito

Alma missioneira
judaico-jesuítica.