sexta-feira, 9 de maio de 2008

URSO

Tão bonito, o urso. Grande e preto. Nos olhos, a expressão do passado e do presente, mesclados de sofrimento e piedade, em busca de piedade, seus cílios elevam-se em grau oblíquo e logo recaem. O urso anda cansado, seus cabelos já grisalhos, mas retém ainda a força gigante que é sua nos traços e nos músculos. Como se a qualquer momento pudesse, se quisesse, reerguer-se soberano na floresta! Mas isso tudo, é só do seu casco. Porque o seu urro é manso e o que ele me diz é que anda blasé com a vida. Já leu de tudo, já viu de tudo, já viveu em tantos lugares. Ainda se surpreende, com o sexo (imagine só, de tantas coisas mais surpreendentes!), mas o resto, ao que parece não... Duelamos em muitas coisas, mas nos entendemos na linguagem, na base, e isso é bom. Como dois devotos espadachins, em uniforme branco acolchoado, nos aquecendo dentro do círculo de giz. Touché!
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Um comentário:

Ernst og Lyset disse...

Ai, mamãe, tira esse urso daí, tira... Ele deve ter um dente... Tira, mamãe, tira...