terça-feira, 7 de dezembro de 2010

De que vale um Sarau?

.....Passada a ansiedade pré-sarau e a euforia pós-evento, rola sempre aquela confusão mental. De que vale um Sarau? Mais um sarau, nessa cidade de tantos pontos de poesia? Foi tudo tão singelo e começo a pensar no que poderia ter sido melhor, nos incidentes que atrapalharam, em como o tempo poderia ter sido mais bem utilizado e em como seria se tivéssemos tido música ao vivo ou um grande spot de luz sobre o palco.
.....Em meio a essa neblina do que foi e o que poderia ter sido, sinto-me feliz. A felicidade é assim feito algodão doce, rosada e sem muito conteúdo, às vezes dá na telha dela aparecer!
.....É que toda hora me lembro de algo que enche o meu coração de alegria. Fico pensando na hora em que o Rui soltou a sua voz potente no palco e como isso deve ter surpreendido a platéia. Recordo-me da criança que ficou quase duas horas sentada na beira do palco sem arredar o pé dali. Do Victor me dizendo que este é o terceiro Sarau no qual ele se apresenta, ao lado da namorada que o acompanhava (viva os nossos companheiros de vida e literatura!). De repente, me soam como guizos os risos que a Analu arrancou da platéia - surpresa para ela também, que animou-se a perder até o aniversário de 110 anos da avó do Jonathas! Me vem em mente o papo com a Ana, sobre como as brigas do passado pertencem cada vez mais a ele e, com a ajuda do tempo, os ex-amigos voltam a ser isso novamente. Falando nisso, foi curioso ver Analu e Caco tomando vinho juntos, após um primeiro contato meio ébrio e truncado. Ouço a voz de Raquel falando sobre romanos no clube dos judeus, com muita propriedade! Me divirto até de lembrar do Caco chegando atrasado (o que foi motivo de angústia na hora), mas em tempo de deixar sua marca para o Grand Finale, que foi tão divertido. Certeza que os proseadores com bloqueios poéticos saíram de lá felizes por terem recitado poeminhas de cabeça!
.....E a platéia marcou presença, gente de todas as idades e o grupo do Haverim (com necessidades especiais) - que delícia tê-los conosco! O pessoal do Clube ficou feliz com o coro e nós também. Afinal, o que é um evento sem eles? Tomara que eles tenham gostado, ouvido algo novo, admirado-se ao ver jovens que fazem poesia e homens de cabelos grisalhos que ainda amam como adolescentes (alô Roberto!). São coisas raras deste mundo. Espero que em algum momento, ao menos um momentinho, eles tenham se emocionado ou dado uma risada gostosa ou mesmo achado algo muito ridículo! Qualquer coisa que tenha alterado sua rotina, que os tenha feito chegar em casa e contar para seu esposa ou esposo, “Você não imagina o que eu vi na Hebraica hoje!”
.....É isso que vale. Um dia um pouco mais cheio de vida do que os outros, um dia de encontros com aquilo que é e poderia ter sido, na vida ou na poesia. Singelo como isso, é o que vale.
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Para ver algumas fotos do evento, clique AQUI.

Um comentário:

Caco disse...

pois é, poesia
pra que?
"poesia não compra sapato, mas como andar sem poesia"